Sentado no terceiro banco do lado norte do lago em frente ao museu, um senhor idoso sentava-se sempre com o mesmo casaco cinza ouvindo seu walkman de fita. Sempre segurando-o na mão esquerda enquanto a mão direita fazia leves movimentos semelhantes ao de um regente de orquestra. Todos os dias ele estaria ali, e todos os dias ele não deixava de ficar instigado com aquilo. Músico como sempre fora, não deixava de notar pessoas como aquele velho senhor. E aquele ato de tentar reger uma música já gravada o fascinava.
E foi exatamente nesse momento de abstração, exatamente no décimo terceiro dia de caminhadas solitárias que ele a encontrou. Com uma expressão facial indescritível ele teve certeza que a encontrara. E dali em diante reconheceu naquela voz uma suave melodia à medida em que ela, de lábios rosados, soltava aos poucos suas palavras... e frases... e meigas risadas.
Foi então que percebeu que iniciara uma nova fase em sua vida.
Há alguns anos notara que rompimentos bruscos em seu entendimento o levavam a uma nova fase. E como nunca teve medo de mudar, mas sim de se repetir, ou pior, de repetir os outros, ele não hesitava e encarava toda mudança como um passo mais próximo ao caminho da verdade.
Sua primeira fase foi aquela em que todos os amantes da música que se denominam músicos devem passar. Ele a descrevia como "Fase do Meio", nome que sempre que ele usava era mal compreendido, já que por ser a primeira fase não fazia sentido ser a do meio, mas aos poucos que ele se dava ao trabalho de explicar facilmente entendiam. O "meio", claro, era o "instrumento".
Sua primeira fase foi aquela em que todos os amantes da música que se denominam músicos devem passar. Ele a descrevia como "Fase do Meio", nome que sempre que ele usava era mal compreendido, já que por ser a primeira fase não fazia sentido ser a do meio, mas aos poucos que ele se dava ao trabalho de explicar facilmente entendiam. O "meio", claro, era o "instrumento".
A fase do meio, portanto, consistia no momento inicial do aspirante a músico, onde tal amante acredita que sua amada se esconde em cada instrumento musical. Aquele que abre seu caminho através das cordas do violão acredita de olhos fechados que toda música se encontrará por entre aquelas cordas e posições. Já o pianista, durante essa fase, acredita que a exata combinação de teclas a alcançará. E tal crença dura até que ele perceba que o instrumento não é música, e a música que ele fornece é nada mais do que aquela que sua mão alcança ou está habituada a alcançar. O alcance da mão, no entanto, para aquele que um dia compreendeu melhor a música, é infinitamente menor que o amor da música para com aquele que a busca.
A segunda fase é a "Fase Egocêntrica", onde o músico acredita ser a música em si. E ele acreditou com toda certeza. Fechava os olhos e a enxergava com tamanha nitidez que não havia dúvidas, a música estava dentro dele. Era só olhar cada vez mais para dentro de si mesmo que a encontraria. Sua mão, agora livre dos vícios iniciais, livre para buscar a música que muito lhe fugia o alcance, agora alcançava tão longe quanto seu próprio eu podia alcançar.
Por algum tempo acreditou que seu próprio suor eram suspiros da música. Acreditou e externou sua crença, trazendo à tona aquela música que vivia apenas ali, dentro de si. E quem ouviu se apaixonou por ele. E ele, com mais e mais certeza buscou mais e mais fundo.
A música, no entanto, foi tornando-se cada vez mais escassa. E com o passar do tempo ela o abandonou.
Procurou em vão por mais algum tempo. Mas dentro de si a música não vivia mais.
E foi num dia de longa caminhada sozinho que a encontrou. Foi necessário que primeiro deixasse de acreditar que a encontraria em objetos, mas o maior passo foi deixar de acreditar que era o seu dono, e que devia buscá-la fora de si mesmo, fora desse mundo viciado em pré-concepções. Percebeu que a música era, e sempre foi, música por si só. Ninguém podia controlá-la, muito menos acreditar possuí-la. Foi quando deixou de obcessivamente tentar domá-la aos seus caprichos, e assim a encontrou; pura e perfeita.
Ela, a música, agora não seguia a lei dos homens, mas vivia livre como música que sempre foi. E como prova de amor pelo músico libertador, a música passou a lhe visitar todos os dias. Nua ela o acariciava enquanto cantava aos seus ouvidos. Sem idéias fixas, receios ou preconceitos, ele deixou de querer ser seu ditador; deixou-a mostrar-lhe todos seus encantos. Assim de forma tão natural viraram fiéis amantes onde quase podia vê-la: ela, de lábios rosados, soltava aos poucos suas palavras... e frases... e meigas risadas.
Por algum tempo acreditou que seu próprio suor eram suspiros da música. Acreditou e externou sua crença, trazendo à tona aquela música que vivia apenas ali, dentro de si. E quem ouviu se apaixonou por ele. E ele, com mais e mais certeza buscou mais e mais fundo.
A música, no entanto, foi tornando-se cada vez mais escassa. E com o passar do tempo ela o abandonou.
Procurou em vão por mais algum tempo. Mas dentro de si a música não vivia mais.
E foi num dia de longa caminhada sozinho que a encontrou. Foi necessário que primeiro deixasse de acreditar que a encontraria em objetos, mas o maior passo foi deixar de acreditar que era o seu dono, e que devia buscá-la fora de si mesmo, fora desse mundo viciado em pré-concepções. Percebeu que a música era, e sempre foi, música por si só. Ninguém podia controlá-la, muito menos acreditar possuí-la. Foi quando deixou de obcessivamente tentar domá-la aos seus caprichos, e assim a encontrou; pura e perfeita.
Ela, a música, agora não seguia a lei dos homens, mas vivia livre como música que sempre foi. E como prova de amor pelo músico libertador, a música passou a lhe visitar todos os dias. Nua ela o acariciava enquanto cantava aos seus ouvidos. Sem idéias fixas, receios ou preconceitos, ele deixou de querer ser seu ditador; deixou-a mostrar-lhe todos seus encantos. Assim de forma tão natural viraram fiéis amantes onde quase podia vê-la: ela, de lábios rosados, soltava aos poucos suas palavras... e frases... e meigas risadas.
Adorei!
ResponderExcluirgosto dessa de repetir frases, e voce repetiu muito bem! rs