O elo central daquela cena era o banco. Ele rapidamente percebeu sua importância, e cuidou para que ele, o banco, cumprisse seu tão importante papel.
Momentos antes, no entanto, ele não havia notado. Sua sutileza, sua delicadeza, ou melhor dizendo, sua sensibilidade ainda não estava tão aguçada.
Com um leve sorriso cuidado para não ser notado, ele quase fechou os olhos ao pensar à respeito. Lembrou-se então do caminho percorrido até chegar ali. Lembrou-se da grama meio desbotada, meio pisada, que combinava perfeitamente com aquele tempo nublado e frio que predominava sobre aqueles últimos dias. A cor da grama combinava perfeitamente com o clima melancólico que mantinha com tanto carinho naqueles dias frios. Um verde mais pro bege, meio musgo, meio velho. Quase como se neve tivesse coberto aquela grama por alguns dias e só agora a liberava. Combinava perfeitamente com aquele frio.
Sua caminhada lenta e solitária, porém, não era triste. Nada perto de triste. Melancólica sim, mas por causa do céu nublado e o friozinho que lhe fazia cruzar os braços como se abraçasse a si mesmo. E nessa caminhada solitária ele aproveitava para pensar na vida. Não na dele, nem na de ninguém exatamente, mas na vida. Quase apenas olhava para baixo, é verdade. Quem o visse o acharia triste, meio largado, sem muita energia. Mas a verdade nós já sabemos, estava mesmo era fascinado com a cor da grama. Era completamente diferente da grama de verão, que berra demais, quase exagera ao exibir tanta vida em sua cor. Ele gostava era dessa grama, essa que vive mas pouco se importa em ser bela, e assim tanto combina com aquela vida que ele tanto conhecia, onde você sabe que é vivo, mesmo que não se encante com a vida em si.
Ele, como disse, não pensava em sua vida nem na vida de ninguém, mas na vida e no viver. E, apesar de tanta melancolia, o que aguçou sua sensibilidade naquela tarde foi exatamente o que menos esperava: aquela luz de pôr-do-sol que de repente aparece quando você já deu o dia como noite, aquela luz que invade um dia nublado apenas para lembrar-lhe de que, mesmo escondido, o sol esteve lá. E foi quando, com essa breve mas brusca mudança de cores, o banco tornou-se tão importante naquela cena. Ele, que há pouco entendera a harmonia das poucas cores do tempo nublado agora se deparava com aquela inúmera quantidade de nuvens numa imensidão sem fim ao dialogar com milhões de cores que o toque final do sol vinha trazer àquele dia. Sentou-se, pois não pôde conter-se de pé.
Ele, como disse, não pensava em sua vida nem na vida de ninguém, mas na vida e no viver. E, apesar de tanta melancolia, o que aguçou sua sensibilidade naquela tarde foi exatamente o que menos esperava: aquela luz de pôr-do-sol que de repente aparece quando você já deu o dia como noite, aquela luz que invade um dia nublado apenas para lembrar-lhe de que, mesmo escondido, o sol esteve lá. E foi quando, com essa breve mas brusca mudança de cores, o banco tornou-se tão importante naquela cena. Ele, que há pouco entendera a harmonia das poucas cores do tempo nublado agora se deparava com aquela inúmera quantidade de nuvens numa imensidão sem fim ao dialogar com milhões de cores que o toque final do sol vinha trazer àquele dia. Sentou-se, pois não pôde conter-se de pé.
E quem apenas passava não podia notar o que o homem sentado fazia para tornar aqueles poucos segundos de luz em uma eternidade.
Bancos seriam para ele sempre um convite. Um convite à devagar sobre a vida e o que dela veria. E ansiosamente sentaria-se nos mais diversos lugares. E dali pra frente sempre que notasse estar correndo sem motivos, ou mesmo andando sem olhar, pararia e se sentaria.
No dia seguinte subia sua rua em direção ao mercado quando viu uma pequena praça entre duas velhas casas. Com um gramado bonito e uma árvore no centro, havia debaixo dela um velho banco de madeira. Tal banco não estava nenhum pouco próximo à calçada, estava posicionado bem no centro do pequeno gramado entre as duas casas. O convite era então ainda mais forte, porque quase todos os dias subia aquela rua e nunca o tinha notado. Foi então que notou a primeira coisa sentado: os que andam não notam o banco, mas sentem inveja daqueles que se sentaram.
Agora eu vou olhar os bancos de uma forma completamente diferente! Melancólica, mas não triste, nunca triste!
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