Ele, dentro de si mesmo, porém, argumentava com sua mulher quase que telepaticamente. Construia seu argumento e, quando ao perceber falhas quando sua mulher o contra-argumentava, ele voltava novamente ao ponto inicial e aperfeiçoava seu raciocínio, fazendo com que sua mulher (imaginária) aceitasse seu ponto de vista e assim seguisse adiante no assunto.
Ao passar das estações ele ficava cada vez melhor no debate. Mas, ao ver que sua estação estava próxima, sentiu-se culpado, e desaprovou dentro de si mesmo a idéia que formulava desde cedo naquele dia. Sua idéia era, afinal, um absurdo. Ele sabia que era, e sabia que ela a acharia ainda pior.
Seu problema sempre existira e sempre existiria. Mas hoje, beirando seus cinquenta anos, sabia que tal assunto não era um problema passageiro, ou algo que ele devesse apenas lutar contra e tentar esquecer. Era um problema, afinal, que todo homem passava mas poucos sabiam lidar. E ele, orgulhoso por seu caráter correto, sempre manteve-se longe das possibilidades concretas de traição. Mas agora, longe de sua juventude, percebia que não viveria em paz se não afrontasse a questão de maneira mais realista.
Ao passar das estações ele ficava cada vez melhor no debate. Mas, ao ver que sua estação estava próxima, sentiu-se culpado, e desaprovou dentro de si mesmo a idéia que formulava desde cedo naquele dia. Sua idéia era, afinal, um absurdo. Ele sabia que era, e sabia que ela a acharia ainda pior.
Seu problema sempre existira e sempre existiria. Mas hoje, beirando seus cinquenta anos, sabia que tal assunto não era um problema passageiro, ou algo que ele devesse apenas lutar contra e tentar esquecer. Era um problema, afinal, que todo homem passava mas poucos sabiam lidar. E ele, orgulhoso por seu caráter correto, sempre manteve-se longe das possibilidades concretas de traição. Mas agora, longe de sua juventude, percebia que não viveria em paz se não afrontasse a questão de maneira mais realista.
Ele, sempre fiel à sua esposa, andava angustiado por uma moça nova em seu serviço. Como disse, ele, sempre fiel, nunca traíra sua mulher de fato. Mas, hoje, morrendo por dentro, admitira a si mesmo que desde sua época de namoro a vinha traindo diariamente. Pois ele, afinal, nunca deixara de desejar outras mulheres, podia mesmo nunca ter levado outra pra cama, mas sempre as carregava em sua mente.
Mente imunda? Não, na verdade não.
Ele via as mulheres (agora cito um de seus próprios argumentos), como jóias, como pedras preciosas. Não as via apenas como peito e bunda, ou como sexo. Ele as admirava profundamente em seus pensamentos. Hoje mesmo ficara horas pensando naquele vestido que ela usara.
Abismado com tamanho encanto que tal vestido lhe proporcionara, ele tentou decifrá-lo. Primeiro lembrou-se do leve tecido tocando e acariciando sua bunda. Pensou exatamente onde o tecido do vestido de cores pastéis a tocava e dividia. Mas ainda não era isso, não era exatamente o que lhe causava tamanho encanto. Talvez a própria leveza em si fosse a causa do efeito. A leveza do toque. Pois lembrava-se também de sua barriga, onde o vestido a tocava ele quase podia sentir a textura macia de sua pele. Quase podia respirar ali, ofegante.
Abismado com tamanho encanto que tal vestido lhe proporcionara, ele tentou decifrá-lo. Primeiro lembrou-se do leve tecido tocando e acariciando sua bunda. Pensou exatamente onde o tecido do vestido de cores pastéis a tocava e dividia. Mas ainda não era isso, não era exatamente o que lhe causava tamanho encanto. Talvez a própria leveza em si fosse a causa do efeito. A leveza do toque. Pois lembrava-se também de sua barriga, onde o vestido a tocava ele quase podia sentir a textura macia de sua pele. Quase podia respirar ali, ofegante.
Voltando-se ao mundo real ele desceu do vagão e caminhou lentamente com o livro e uma maleta na mão.
Ele precisava pôr isso pra fora de algum jeito. E sabia que seria ridícula qualquer tentativa de explicar o motivo de estar tão quieto, tenso, estressado...
O amor era algo diferente, ele sabia que era. Ainda amava sua mulher como a amou ao pedí-la em namoro, ao pedí-la em casamento. Mas aquilo não tinha, não podia ter relação com seu amor por ela. Ele, afinal, ainda a amava; mas sentia-se perto da morte ao pensar que não poderia tocar aquelas mulheres que dia após dia o faziam enlouquecer.
O amor era algo diferente, ele sabia que era. Ainda amava sua mulher como a amou ao pedí-la em namoro, ao pedí-la em casamento. Mas aquilo não tinha, não podia ter relação com seu amor por ela. Ele, afinal, ainda a amava; mas sentia-se perto da morte ao pensar que não poderia tocar aquelas mulheres que dia após dia o faziam enlouquecer.
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