sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Noite de verão

Esperando na fila da cerveja, em frente a um boteco de rua próximo à praia, do nada ela ouve alguém dizer:
- Oi, meu nome é Arlei.
Foda-se, pensou consigo mesma. Mas não respondeu. Apenas o olhou pra ver se não era ninguém que ela conhecesse mesmo. Vendo que não era, desconsiderou qualquer resposta e voltou a focar-se na fila.
- Porra, mas é metida mesmo, hein?
Apenas respirou fundo tentando não se emputecer, mas se emputeceu mesmo assim.
- Qual o seu nome?
- Mas o que você quer, hein?
- Porra... nada não, ué! Só tô conversando...
Novamente ela o ignorou. Deu uns três passos adiante, já quase chegando sua vez pra pegar sua gelada. A noite era bem quente, como as noites baianas de verão. Ali ao lado se encontravam suas amigas, todas já meio bêbadas, mas ela um pouco menos. Ao fundo ouvia-se música ao vivo tocando bem alto. Aquele ponto da praia era particularmente agitado durante a noite, e ela, de saia azul e bluzinha branca, bebia naquele mesmo boteco toda sexta.
- Meu nome é Arlei, e o seu?
- Mas você é chato, hein? Se eu disser meu nome vai embora?
- Depende... se continuar chata assim comigo...
- É Shirlei. Meu nome é Shirlei...
- Porra, rima com o meu!
- Três latinhas por favor!
Ele rodeou, olhou pra praia, fingiu que ía embora, mas voltou.
- Você é da onde, Shirlei?
- Puta merda, nem gelada não tá.
- Ô João, troca as cervejas aqui pra moça, vai! Pega aquelas do fundo que gelada eu sei que você tem!
Ela olhou pra ele, mas antes de dizer qualquer coisa ele já estava trocando as cervejas pra ela.
- Aqui, oh!
- Obrigada...
- Então, da onde você é?
Ela tirou os cabelos do rosto, abriu uma latinha e respondeu.

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