quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

à caminho da escola

Com as batidas do coração cada vez mais rápidas ele começou a perder noção da realidade. Não sabia mais onde estava. Sabia, porém, porquê estava ali, pois podia sentir no ar o cheiro que vinha debaixo de sua saia. Aquelas pernas negras que o fazia suar de noite. Que o fazia suar de manhã.
Todos os dias ele atravessava o rio pela pequena ponte improvisada. E, nem todos os dias, mas nos dias de sorte, ela estaria ali, lavando roupas no riacho.
Como atravessar o rio era caminho pra escola ele achava que ela não desconfiaria. Mas na verdade ela não desconfiaria por outro motivo: ele tinha apenas 12 anos, e ela 27.
Com a primeira paulada que ele deu ela não caiu, foi quando entrou em pânico. Não contava com a possibilidade de ela ser mais forte que ele.
Na segunda, porém, não teve jeito, ela foi ao chão. Assustado, olhou ao redor pra ver se ninguém tinha visto, mas como sempre, ali não havia mais ninguém.
Suas mãos tremiam e de nervoso ele quase vomitara. Mas aos poucos o nervoso foi dando espaço para outra sensação. Uma sensação que por mais novo que fosse já conhecia bem.
Primeiro levantou sua saia, depois abaixou seu decote.
Seu coração disparou novamente, mas agora de tal forma que foi perdendo os sentidos. Quando deu por si, ele estava em outro lugar. Ou seria o mesmo lugar? Não se lembrava de ter pulado no riacho, mas estava todo molhado. Olhou ao redor e não a encontrou. Mas pôde sentir o cheiro, estava suas mãos, em seu corpo todo. Podia sentir o gosto dela.
Quando a primeira paulada não a derrubou ela olhou pra trás. Não podia tê-lo visto, teve que afundá-la no rio.
Ir pra escola pelo caminho do riacho desde então perdeu a graça.

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